Manifesto em defesa dos trabalhadores da ARTE e da CULTURA

Por Léo Pereira 

A corrupção é o câncer. A arte liberta.

Política sem corrupção: Esse foi o lema proposto pelo Fórum Permanente de Cultura de Goiás para intervir no processo eleitoral de 2010 e que está sendo relançado para os projetos de gestâo pública 2011.  Os trabalhadores da arte e da cultura entendem que passa da hora de lançarmos esse grito na sociedade. Uma nova consciência coletiva para o exercício do terceiro milênio faz-se urgente e temos clareza da importância do papel da arte no renascer de uma sociedade justa, leal, ciente, não corrupta e capaz de reconstruir a convivência humana e ambiental.

O sistema capitalista está em colapso. Vivemos hoje a sociedade futura descrita por Marx: Uma sociedade de conhecimento absoluto, com inimagináveis avanços na ciência, nas comunicações e em todas as áreas do conhecimento humano; e que, paradoxalmente, vive a maior e mais moderna exclusão humana e degradação ambiental registrada em toda a história da humanidade: a barbárie.

Vivemos no nosso tempo a barbárie: fruto de uma atitude predatória que nos coloca hoje no limite entre a vida e a morte do planeta terra. Essa atitude predatória se chama corrupção e está na lógica do sistema capitalista que impõe o valor acumular capital acima de todos os outros valores humanos. É com esta imposição (a corrupção que deriva do preconceito) que eles promovem a guerra, reprimem atitudes sexuais, a relação humana com as drogas e todo tipo de prazer humano. O prazer sofre preconceitos na sociedade do nosso tempo. É preciso vencê-los.

Em defesa do prazer apresentamos a prioridade da arte. A arte promove o exercício do maior prazer humano: a convivência. E (sem preconceitos) a arte não é uma droga. É um ofício. Um trabalho. O artista é o trabalhador cujo ofício é servir prazer à sociedade em forma de conhecimento e diversão. E em forma de posicionamento filosófico. A arte é para o debate e pela busca do conhecimento com prazer e liberdade. Portanto é uma prioridade humana; assim como a saúde, a educação, o esporte, a proteção ambiental.

Anterior a estes, só o trabalho. O trabalho é um valor sagrado dos seres humanos, apesar de totalmente corrompido na sociedade do nosso tempo. Toda corrupção subverte o trabalho, tirando de quem realiza a responsabilidade de fazer bem, e de quem compra a responsabilidade de exigir a qualidade necessária. Essa corrupção do trabalho pelo pensamento único do capital é que gera obras superfaturadas e mal executadas e é a mesma que exclui e gera milhões de desempregados e pessoas abaixo da linha da pobreza em todo o mundo.

Somos hoje uma bolha de capital volátil e um bolsão de desempregados e excluídos em Goiânia, em Goiás, no Brasil e no mundo. Somos corrompidos pelo capital e o tratamos com urgência. Acumular capital não é nossa urgência; como pretendem alguns economistas, os poderes e os lobistas. Gerar emprego é nossa urgência máxima e entendemos que resolver essa urgência é investir de forma absoluta na criação de postos de trabalho priorizando políticas públicas para o equilíbrio e a plenitude cidadã do ser humano.

Sejamos claros, menos corruptos e sem preconceitos: É preciso valorizar os profissionais e gerar ainda milhões de empregos urgentes na proteção ambiental, na arte, no esporte, na saúde e na educação para dar conta de toda a demanda que está batendo na porta da nossa miséria social. Miséria esta provocada por nosso sistema corrupto. É preciso coragem de não ser corrupto neste nosso sistema. É preciso olho no olho. É preciso Sertão. É preciso a filosofia da arte. É preciso que homens e mulheres voltem a ter o contrato olho no olho: único valor capaz de vencer a corrupção.

As urgências estão colocadas e os trabalhadores da arte e da cultura estão dando o seu grito de prioridade. O sistema capitalista e suas enormes cidades estão em colapso. Há caos no trânsito. Caos na moradia. Espaços abandonados. Prédios mortos. Milhões de pessoas excluídas, miseráveis e sem nenhuma possibilidade de acesso a atividades de convivência que as divirta, que as humanize, que as eleve ao exercício do maior prazer humano: a arte. De outro lado, milhões de artistas e jovens adolescentes com talento sem nenhuma perspectiva de encarar a arte como trabalho porque não há oferta.

O Estado não está cumprindo a sua função de ofertar trabalho à arte para servir a sociedade. É ridículo o percentual do investimento público dedicado à arte e a cultura. Enquanto a saúde contam com algo em tyorno de 20%, contamos com míseros menos de 1% e as articulações mais animadoras podem nos levar a um futuro ainda incerto de 2%. Além dessa dura postura preconceituosa de Estado, enfrentamos a grave corrupção que impede que o dinheiro da arte, da saúde, da educação, do esporte e da proteção ambiental chegue aos trabalhadores dessas áreas.

Entendemos, portanto, que continua a arte sendo tratada de forma corrupta, desrespeitosa e preconceituosa pelo Estado; apesar de constarmos como prioridade na Constituição Brasileira. Por isso elevamos nosso grito: O preconceito e a corrupção estão matando o trabalhador da arte. E o Estado está matando as comunidades de abandono e violência por não lhes ofertar a arte.

A corrupção é preconceituosa e está na doença do pensamento único pelo acúmulo de capital que exclui e expulsa, principalmente das comunidades carentes, uma das profissões mais sagradas da humanidade: o trabalhador da arte.

Portanto, o capitalismo é um sistema cancerígeno que nos impõe a corrupção. Precisamos vencê-lo. Viva o trabalhador da arte. Viva o rio. O rio saudável está dentro do ser Rio. O Palhaço.

 

PROPOSTAS DO FÓRUM PERMANENTE DE CULTURA DE GOIÁS

1)    POR MAIS VERBAS PRA CULTURA; AUMENTO DO FUNDO DE CULTURA PARA 5% DO ORÇAMENTO NOS PODERES MUNICIPAL, ESTADUAL E FEDERAL.

2)    PELO FIM DO ABANDONO E URGENTE REVITALIZAÇÃO E OCUPAÇÃO PLENA DOS ESPAÇOS PÚBLICOS DESTINADOS A ATIVIDADES CULTURAIS E ARTÍSTICAS COM AÇÕES FINANCIADAS PELOS PODERES PÚBLICOS E OFERTADAS À SOCIEDADE.

3)    PELA UNIVERSALIZAÇÃO E INTERIORIZAÇÃO DA CULTURA COMO FORMA DE PROMOVER O ACESSO AO CONHECIMENTO E GARANTIR O DIREITO A MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS EM BAIRROS E ORGANIZAÇÕES COMUNITÁRIAS URBANAS E RURAIS, OBEJETIVANDO GARANTIR A PRESENÇA DA ARTE COMO FATOR DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL NO COTIDIANO DAS FAMÍLIAS CARENTES DAS METROPOLES E DE TODAS AS CIDADES DO INTERIOR DO NOSSO ESTADO E DO NOSSO PAÍS.

4)    PELA REALIZAÇÃO DE CONCURSO PÚBLICO PARA OCUPAÇÃO DAS VAGAS DA CULTURA POR PROFISSIONAIS QUALIFICADOS.

5)    PELA REESTRUTURAÇÃO DA AGEPEL E DA SECULT PARA FAZER FRENTE ÀS REAIS NECESSIDADES DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A CULTURA EM GOIÃNIA E EM GOIÁS.

6)    TRANSFORMAR POLÍTICAS DE GOVERNO EM POLÍTICAS DE ESTADO PARA GARANTIR DIREITOS DA SOCIEDADE E DOS TRABALHADORES DA ARTE.

7)    PELA REGULAMENTAÇÃO DO FUNDO ESTADUAL DE CULTURA EM GOIÁS.

8)    PELA ADEQUAÇÃO DO ESTADO DE GOIÁS AO SISTEMA NACIONAL DE CULTURA.

9)    LEVAR PARA AS PERIFERIAS DA CAPITAL E PARA O INTERIOR DO ESTADO OS EQUIPAMENTOS DE CULTURA.

10)  EXIGIR DO PODER PÚBLICO GOIANO O MAPEAMENTO DAS ATIVIDADES DE CULTURA E DAS VOCAÇÕES ARTÍSTICAS DE TODO O ESTADO.

11) REVER AS POLÍTICAS DE MEGA EVENTOS ESTATAIS E PLANEJAR O INVESTIMENTO NUMA NOVA LÓGICA QUE PRIORIZE FORMAÇÃO, FOMENTO E TEMPORADAS POPULARES E PEDAGÓGICAS, DE FORMA QUE O PODER PÚBLICO REMUNERE A PERFORMANCE DO TRABALHADOR DA ARTE PARA REALIZAR SEU TRABALHO, E AINDA, PROMOVA A PRESENÇA DA ARTE NOS AMBIENTES PÚBLICOS, CASAS DE ESPETÁCULOS, DEMAIS ESPAÇOS DE ARTE PÚBLICOS E PRIVADOS E ESPAÇOS DESTINADOS À EDUCAÇÃO E  À SAÚDE.

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About FPCGO

O Fórum Permanente de Cultura é um movimento que surgiu em Goiânia no final dos nos anos 90 e teve como principal resultado de luta a aprovação das leis de incentivo à cultura em Goiânia e em Goiás. À época, o movimento se reunia todas as terças-feiras no Centro Cultural Martim Cererê onde planejava ações políticas e exercia o debate permanente em defesa da cultura.

9 thoughts on “Manifesto em defesa dos trabalhadores da ARTE e da CULTURA

  1. Grande! Um manifesto que precisa ser lido e relido, falado e cantado, até o dia em que as suas reinvindicações forem, enfim, ouvidas pelos nossos poderes.

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