PASSEATA PELA CULTURA, Rodrigo Alves

O Popular, Magazine, 30 de março de 2011

Diante da situação crítica da categoria artística no Estado, o Fórum Permanente de Cultura está organizando uma manifestação em Goiânia para sexta-feira, com o intuito de pedir ao poder público posicionamento urgente para resolver questões que assolam a área. Entre várias delas, uma, já relatada pelo POPULAR, refere-se às restrições na captação pela Lei Goyazes, mecanismo estadual de fomento à cultura, em face aos problemas orçamentários do Estado.

A ideia dos integrantes do fórum, que conta com o envolvimento de cerca de cem pessoas ligadas à cultura, é mobilizar artistas e comunidade para uma manifestação pelo Centro da capital em marcha da Praça do Trabalhador até a Praça Cívica, onde o grupo reivindicará audiência com o governador Marconi Perillo. Outro objetivo é também relançar o Manifesto em Defesa dos Trabalhadores da Arte 2010/2011, que defende, em 11 pontos, que a cultura sejam tratada como prioridade e os artistas, como trabalhadores.

O texto do manifesto foi aprovado no ano passado durante o período eleitoral pelo fórum, que já completa mais de uma década de atividade. “São pontos que a categoria debateu e definiu. Entre eles, está a necessidade promover o valor de que a arte também é um trabalho, tentando também ir contra a concepção capitalista de que só é trabalho aquilo que gera riqueza material direta”, define o autor do texto, o publicitário e poeta Leo Pereira.

Reivindicações

O cronograma preparado para sexta-feira, explica outro membro do fórum, o produtor cinematográfico Wilmar Ferraz, começa com concentração na Praça do Trabalhador, às 14 horas. “Às 15 horas, planejamos sair pela Avenida Goiás rumo ao anel interno da Praça Cívica”, informa. Por volta das 17 horas, explica ele, a manifestação estacionará à frente do Centro Administrativo, de frente para o início da Avenida 84, onde o fórum vai requisitar uma audiência com o governador. “Qualquer pessoa pode participar”, convida ele.

De acordo com Ferraz, ofícios à Agência Municipal de Trânsito, Polícia Militar e Secretaria Municipal de Saúde para o apoio logístico à manifestação já foram despachados. Ontem, até o final da tarde, também estava previsto a protocolação do pedido de audiência com Marconi. “Queremos mostrar à população que os artistas também se posicionam como categoria profissional”, defende Ferraz. Para tanto, a movimentação do fórum já está sendo divulgada nas redes sociais da internet, em sites como Twitter e Facebook.

Entre os principais pedidos do manifesto a ser apresentado ao governador, estão pontos que não são necessariamente novos na área. Um deles, por exemplo, é a reivindicação de que municípios, Estados e União destinem cerca de 5% do Orçamento para cultura, realidade muito longe do que se vê atualmente. “Nosso pedido neste momento é direcionado ao governo estadual, mas as reivindicações se estendem também os representantes dos municípios e da União”, explica Ferraz. Outro ponto diz respeito ao pedido de implementação de políticas de interiorização de projetos culturais.

Entre as medidas práticas reivindicadas para o Estado, estão a adequação de Goiás ao Sistema Nacional de Cultura, a reestruturação das pastas que cuidam da cultura, a realização de concurso público para qualificação profissional e a regulamentação do Fundo Estadual de Cultura. Para completar, o manifesto se posiciona ainda contra a “realização de megaeventos” se eles inviabilizam medidas menores para formação de público e fomento. “Não podemos esquecer também do abandono de centros culturais, como o Oscar Niemeyer”, complementa a curadora Lydia Himmen, outra integrante do fórum.

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About FPCGO

O Fórum Permanente de Cultura é um movimento que surgiu em Goiânia no final dos nos anos 90 e teve como principal resultado de luta a aprovação das leis de incentivo à cultura em Goiânia e em Goiás. À época, o movimento se reunia todas as terças-feiras no Centro Cultural Martim Cererê onde planejava ações políticas e exercia o debate permanente em defesa da cultura.

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